quinta-feira, 22 de setembro de 2011

REYNALDO LEITE / MARIA ANGÉLICA - FIDELIDADE



FIDELIDADE: 
 
O abençoado irmão Inácio, de Antióquia, conduzido a ferros à prisão marmetina, para, porque Cristão e por decreto imperial, sofrer o martirológio na arena, dá-nos o exemplo de compreensão da fidelidade Crística, quando, por momentos, a escolta que o conduzia estaca na Via Ápia; para, saudosos os seus componentes, mirarem do promontório as belezas aurifulgentes romanas.
Observando a necrópole de um lado e a “dommus áurea” do outro, gargalha Inácio que, esbofeteado, exclama à inquirição da raivosa soldadesca: “Rio, sim, rio de vós!”
E prossegue: “Pois que se Deus oferta a vós, que sois prostitutos, venais e infiéis, esta Roma tão bela, tão gloriosa, o que não nos ofertará a nós, que em Jesus, o Cristo, Lhe somos tão fiéis! ...”  
 
Médium: Reynaldo Leite
Espírito: Maria Angélica
Fonte: Livro: Verdades Eternas - Reynaldo Leite

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DIVALDO PEREIRA FRANCO - ENTREVISTA AO JORNAL LIBERTAÇÃO


ENTREVISTA AO JORNAL LIBERTAÇÃO:

Libertação: Os países desenvolvidos não têm muito respeito para com o Brasil, porque aqui há uma crise muito grande: econômica, social e de má administração. Como, então, o Brasil sendo a Pátria do Evangelho, vai emanar irradiações para eles?

DIVALDO FRANCO: O forte sempre desdenhou do fraco; o poderoso sempre submeteu o tímido; o dominador sempre tentou esmagar o frágil; mas a cultura histórica demonstrou que as grandes nações não se fazem pelo poder dos exércitos, mas dos valores éticos daqueles que ali viveram. Esparta venceu Atenas, mas nunca ofereceu ao mundo a equipe de pensadores como Atenas vencida. Roma conquistou a Grécia e foi conquistada pela sabedoria grega. A China sempre foi vencida mas sempre venceu os vencedores pela sua alta filosofia. Os chamados países do primeiro nível superdesenvolvidos não têm problema econômico que nós experimentamos, mas têm o problema sócio-moral muito grave. Os altos índices de alcoólatras, de alienados mentais, de suicídio, o que demonstra que a primazia é só aparente e desrespeitam a nacionalidade brasileira, porque infelizmente alguns brasileiros não se respeitam a si mesmos. O Brasil continua com a sua missão história que os homens não podem perturbar. Se olharmos o exemplo da Rússia que em menos de cinco anos mudou uma estrutura de setenta, que na Revolução de 1918 mudou uma estrutura multimilenária, o Brasil, de repente as novas gerações que se encarnam, mudará esse condicionamento, esse atavismo cheio de negação e alcançará, não de imediato, a sua destinação histórica de pátria do Evangelho, de coração do mundo.
Também devemos considerar, que a colocação é uma colocação poética do escritor brasileiro, que poderia ferir outras nações que se sentissem colocadas à margem. Mas aqui se instalou a seiva da doutrina espírita transplantada de França e um convênio afetivo entre os mentores da França e os mentores do Brasil. E no momento próprio esta árvore frondejará mandando suas sementes de luz para muitas partes da Terra. Uma análise muito rápida: o movimento espírita na Inglatera é hoje acionado por uma inglesa que viveu no Brasil largos anos e é onde estão latino-americanos e os primeiros ingleses que agora se interessam. Na Suíça, em Genebra, é uma nobre Professora de Psicologia que criou o núcleo espírita. Na Alemanha, em duas cidades, são casais brasileiros que estão acionando o trabalho espírito naquele país. Na França, não obstante o trabalho meritório de alguns franceses como o senhor Roger Perez, as atividades em Paris têm um grande fluxo através da realização de uma brasileira, Cláudia Bomartan. E assim poderíamos apresentar em várias partes do mundo o renascimento ou surgimento do espiritismo graças a presença de brasileiros que em visitas ou em viagens ou porque ali conduzidos pelos bons espíritos, instauram a era nova do espírito imortal, que demonstra que a árvore frondosa está mandando as suas sementes, para que surja em outros lugares do mundo o pensamento espírita, conforme recebemos de Allan Kardec.

Fonte: Jornal Libertação - Comunhão Espírita de Brasília.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MARIA DO SOCORRO DURAND VIGGIANO / DAMIÃO - BASTA SORRIR!



BASTA SORRIR!: 
Há pessoas que, ao vermos passar por nós na rua, nos impressionam sobremaneira pela luz que trazem em si.
Mas... o que será que nos atraí os olhos e nos deixa um sentimento de imediata simpatia e nos dá vontade de nos aproximarmos dela e a conhecermos melhor?...

Há pessoas amigas de nosso convívio, que trazem sempre um sorriso no rosto, que todos os dias são sempre agradáveis; para as quais os problemas são sempre passageiros; que trazem a esperança de dias melhores e fé forte e inatacável no futuro.

Mas há pessoas que, ao menor acontecimento, caem em desânimo e trazem uma tristeza no olhar, que é notada até por estranhos que passam por ela. Deixam-nos um sentimento de pena, que levam àquelas pessoas uma vibração negativa que as enterram, mais e mais, na tristeza...

Por que será que temos à nossa volta pessoas tão diferentes, embora habitantes do mesmo mundo e irmãs no mesmo estágio evolutivo do nosso planeta?!...

E você, amigo, qual destas pessoas você gostaria de ser?

Como você desejaria ser olhado: com admiração ou com piedade?...

É muito simples e você pode decidir agora: basta sorrir! 
Médium: Maria do Socorro Durand Viggiano 
Espírito: Damião
Fonte: Jornal: A Caridade – Fev./1999.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

EURÍCLEDES FORMIGA / CAIRBAR SCHUTEL - IRRITAÇÃO


IRRITAÇÃO:

Desejo falar de perigoso agente, responsável pela maioria dos nossos problemas e do nosso sofrimento. Chama-se irritação, onda de desquilíbrio provocada por ventos da emoção desorientada, causadora de desastres psíquicos de conseqüências danosas. Como em solo destinado a finalidades nobres, rebentam, sorrateiras, essas enxurradas emocionais que arrastam consigo preciosas reservas de prudência e de bom senso, concorrendo ainda para que se avolume a corrente negativa de forças interessadas em dilacerações profundas no Espírito em convulsão.
Acautelemo-nos contra a irritação, inimiga da paz, da saúde da alma, como da saúde do corpo. À maneira dos incêndios arrasadores, nasce às vezes de simples fagulha da vontade contraridada, do orgulho ferido, da vaidade atingida. As pequenas centelhas do melindre transformam-se, de um momento para outro, em labaredas furiosas, circulando em espaços de loucura. E não há material mais inflamável que a emoção sem controle.
O remédio para esse flagelo é paciência, tolerância e calma, dosando-o na compreensão e no entendimento com Jesus.

Médium: Eurícles Formiga
Espírito: Cairbar Schutel
Fonte: Livro: Centelhas da Vida - Eurícledes Formiga - Espíritos Diversos - Instituto de Difusão Espírita.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ADDE AGUIAR DE ALMEIDA / SING IU FU - PRECE


PRECE:

Logo que nuvens pesadas anunciam temporal, o homem sensato procura o abrigo que o protegerá da chuva. Assim também o espírito equilibrado, quando sente, ao seu redor, mentes carregadas de paixões, ódios, egoísmos, prestes a desencadear verdadeiros terremotos espirituais, refugia-se na prece a fim de se harmonizar, capacitando-se a ajudar os que foram atingidos.
Se você sabe procurar o abrigo necessário quando a chuva cai, também deverá aprender, usando o seu instinto espiritual, a refugiar-se na prece, conseguindo, assim, serenidade quando a provação chegar. Os sofrimentos são como a chuva. Enquanto esta renova o ar, dá nova vida às plantações, revolve a terra, faz o dia mais brilhante, aqueles transformam nosso espírito em solo fértil para receber as verdades eternas.
Apesar das águas tranqüilas ao seu redor, se nuvens no céu estão pesadas, o homem sensato, imediatamente, toma o rumo com seu bote para a sua casa, uma vez que sabe que, dentro de pouco tempo, tudo mudará com  ventania e chuva. Assim também é na sua vida quando tudo parece ir bem à sua volta, quanto à saúde, quanto aos recursos financeiros, enfim, quanto a tudo importante para a sua vida material, se existir uma depressão na sua alma, é aconselhável tomar o rumo da prece, melhorando a sua conduta espiritual.
Assim como a porta de uma pequena casa significa proteção contra o assédio de animais, contra o vento forte, a poeira e muitas outras coisas desagradáveis, também o hábito da prece e da boa leitura significa para os nossos espíritos um meio eficiente de livrá-los das investidas das trevas espirituais.

Médium: Adde Aguiar de Almeida
Espírito: Sing Iu Fu
Fonte: Livro: Flagrantes de Luz - Adde Aguiar de Almeida, pelos Espíritos de Kalil Gesum e Sing Iu Fu - Instituto Maria-Departamento Editorial.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

YVONE A. PEREIRA / LEÓN DENIS - A GRANDE EDUCADORA

 A GRANDE EDUCADORA:

Chama-se Dor.
Revela-se na desventura do amante, na desolação da orfandade, na angústia da miséria, no alquebramento da saúde, no esquife do ser querido que se foi deixando atrás de si a lágrima e o luto, no opróbrio da desonra, na humilhação do cárcere, no aviltamento dos prostíbulos, na tragédia dos cadafalsos, na insatisfação dos ideais, na tortura das impossibilidades – no acervo das desilusões contra que se confunde e se decepciona o coração da Humanidade.
Não obstante, a Dor é a grande amiga a zelar pela espécie humana, junto dela exercendo missão elevada e santa.
Estendendo sobre as criaturas suas asas, úmidas sempre do orvalho regenerador das lágrimas, a Dor corrige, educa, aperfeiçoa, exalta, redime e glorifica o sentimento humano a cada vibração que lhe extrai através do sofrimento.
O diamante escravizado em sua ganga sofre inimagináveis dilacerações sob o buril do lapidário até poder ostentar toda a real pureza do grande valor que encerra. Assim também será a nossa alma, que precisará provar o amargor das desventuras para se recobrir dos esplendores das virtudes imortais cujos germens o Sempiterno lhe decalcou no ser desde os longínquos dias do seu princípio!
A alma humana é o diamante raro que a Natureza – Deus – criou para, por si mesmo, aperfeiçoar-se no desdobrar dos milênios, até atingir a plenitude do inimaginável valor que representa, como imagem e semelhança dAquele mesmo Foco que a concebeu. Mas o diamante – Homem – acha-se envolvido das brutezas das paixões inferiores. É um diamante bruto! Chega o dia, porém, em que os germes da imortalidade, nele decalcados, se revolucionam nos refolhos da sua consciência, nele palpitando, então, as ânsias por aquela perfeição que o aguarda, num destino glorificador: – Foi criado para as belezas do Espírito e vê-se bruto o inferior! Destinado a fulgir nos mostruários de esferas redimidas, reconhece-se imperfeito e tardo nas sombras da matéria! Sonha com a sublimização das alegrias em pátrias divinais, onde suas ânsias pelo ideal serão plenamente saciadas, mas se confessa verme, porquanto não aprendeu ainda sequer a dominar os instintos  primitivos!
Então o diamante – Homem – inicia, por sua vontade própria, a trajetória indispensável do aperfeiçoamento dos valores que consigo traz em estado ignorado, e entra a sacudir de si a crosta das paixões que o entravam e entenebrecem.
E essa marcha para o Melhor, essa trajetória para o Alto denomina-se Evolução!
A luta, então, apresenta-se rude! É dolorosa, e lenta, e fatigante, e terrível! Dele requer todas as reservas de energias morais, físicas e mentais. Dilacera-lhe o coração, tortura-lhe a alma, e o martirológico, quase sempre, segue com ele, rondando-lhe os passos!
Mas seu destino é imortal, e ele prossegue!
E prosseguindo, vence!…
Então, já não é o bruto de antanho…
O diamante tornou-se jóia preciosa e refulge agora, pleno de méritos e satisfações eternas, nos grandes mostruários da Espiritualidade – esferas de luz que bordam o infinito do Eterno Artista, que é Deus!
A Dor, pois, é para o Espírito humano o que o Sol é para as trevas da noite tempestuosa: – Ressurreição! Porque, se este aclara os horizontes da Terra, levantando com seu brilho majestoso o esplendor da Natureza, aquela desenvolve em nosso ego os magnificentes dons que nele jaziam ignorados: – fecunda a inteligência, depurando o sentimento sob as lições da experiência, educando o caráter, dignificando, elevando, num progredir constante, todo o ser daquele em quem se faz vibrar, tal como o Sol, que vivifica e  benfaz as regiões em que se mostra.
A Dor é o Sol da Alma…
A criatura que ainda não sofreu convenientemente carrega em si como que a aridez que desola os pólos glaciais e, como estes, é inacessível às elevadas manifestações do Bem, isto é, às qualidades redentoras que a Dor produz. Nada possuirá  para oferecer aos que se lhe aproximam pelos caminhos da existência senão a indiferença que em seu ser se alastra, pois que é na desventura que se aprende a comungar com o Bem, e não pode saber senti-lo quem não teve ainda as fibras da alma tangidas pela inspiração da Dor!
O orgulho e o egoísmo, cancerosas chagas que corrompem as belas tendências do Espírito para os surtos evolutivos que o levarão a redimir-se; as vaidades perturbadoras do senso, as ambições desmedidas, funestas, que não raro arrastam o homem a irremediáveis, precipitosas situações; as torpes paixões que tudo arrebatam e tudo ferem e tudo esmagam na sua voragem avassaladora que infestam a alma humana, inferiorizando-a ao nível da brutalidade, e os quais a Dor, ferindo, cerceia, para implantar depois os fachos imortais de virtudes tais como a humildade, a fé, o desinteresse, a tolerância, a paciência, a prudência, a discrição, o senso do dever e da justiça, os dons do amor e da fraternidade e até os impulsos da abnegação e do sacrifício pelo bem alheio – remanescentes daquelas mesmas sublimes virtudes que de Jesus Nazareno fizeram o mensageiro do Eterno!
Ela, a Dor, é o maior agente do Sempiterno na obra gigantesca da regeneração humana! É a retorta de onde o Sentimento sairá purificado dos vírus maléficos que o infelicitam! Quanto maior o seu jugo, mais benefícios concederá ao nosso ego – tal como o diamante, que mais cintila, alindado, quanto maior for o número dos golpes que lhe talharem as facetas! É a incorruptível amiga e protetora da espécie humana:- zelando pela sua elevação espiritual, inspirando nobres e fraternas virtudes! Ela é quem, no Além-Túmulo, nos leva a meditar, através da experiência, produzindo em nosso ser a ciência de nós mesmos, o critério indispensável para as conquistas do futuro, de que hauriremos reabilitação para a consciência conturbada. É quem, a par do Amor, impele as criaturas à comiseração pelos demais sofredores, e a comiseração é o sentimento que arrasta à Beneficiência. E  é ainda ela mesma que nos enternece o coração, fazendo-nos avaliar pelo nosso o infortúnio alheio, predispondo-nos aos rasgos de proteção e bondade; e proteger os infelizes é amar o próximo, enquanto que amar o próximo é amar a Deus, pautando-se pela suprema lei recomendada no Decálogo e exemplificada pelo Divino Mestre!
Por isso mesmo, o coração que sofre não é desgraçado, mas sim venturoso, porque renasce para as auroras da Perfeição, marcha para o destino glorioso, para a comunhão com o Criador Onipotente! Prisioneiro do atraso, o homem somente se desespera sob os embates da Dor porque não a pode compreender ainda. Ela, porém, é magnânima e não maléfica. Não é desventura, é necessidade. Não é desgraça, é progresso. Não é castigo, é lição. Não é aniquilamento, é experiência. Nem é martírio, mas prelúdio de redenção! Notai que – depois do sacrifício na Cruz do Calvário foi que Jesus se aureolou da glória que converterá os séculos:
-          “Quando eu for suspenso, atrairei todos a mim”. – Ele próprio o confirmou, falando a seus discípulos.
Sob o seu ferrete é que nos voltamos para aquele misericordioso Pai que é o nosso último e seguro refúgio, a nossa consolação suprema!
As ilusões passageiras da Terra, os prazeres e as alegrias levianas que infestam o mundo, aviltando o sentimento de cada um, nunca fizeram de seus idólatras almas aclaradas pelas chamas do amor a Deus. É que – para levantar na aridez das nossas almas a pira redentora da Fé só há um elemento capaz, e esse elemento é a Dor! Ela, e só ela, é bastante poderosa para reconciliar os homens – filhos pródigos – com o seu Criador e Pai!
Seu concurso é, portanto, indispensável para nos aperfeiçoar o caráter, e inestimável é o seu valor educativo. Serena, vigilante, nobre heróica – ela é o infalível corretivo às ignomínias do coração humano!
Nada há mais belo e respeitável do que uma alma que se conservou  serena e comedida em face do infortúnio. Palpita nessa alma a epopéia de todas as vitórias! Responde por um atestado de redenção! Seu triunfo, conquanto ignorado pelo mundo, repercutiu nas regiões felizes do Invisível, onde o comemoraram os santos, os mártires de todos os tempos, os gênios da sabedoria e do bem, almas redimidas e amigas que ali habitam, as quais, como todos os homens que viveram e vivem sobre a Terra, também conheceram as correções da Dor, ela é a lei que aciona a Humanidade nos caminhos para o Melhor até a Perfeição!
Ó almas que sofreis! Enxugai o vosso pranto, calai o vosso desespero! Amai antes a vossa Dor e dela fazei o trono da vossa Imortalidade, pois que, ao findar dessa trajatória de lágrimas a que as existências vos obrigam – é a glorificação eterna que recebereie por prêmio!
Salve, ó Dor bendita, nobre e fiel educadora do coração humano!
E glória ao Espiritismo, que nos veio demonstrar a redenção das almas através da Dor!

Médium: Yvone A. Pereira
Espírito: Léon Denis
Fonte: Revista: Reformador - Fevereiro/1978. 
Transcrição de: Mônica Valéria Torres Trajano
Site: http://mundomaior.wordpress.com/

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CÉLIA LUCCHESI DE CARVALHO / GONZAGA - FARNEL DA FRATERNIDADE


 
FARNEL DA FRATERNIDADE: 
 
Ergui para meu senhor um templo inatingível no santuário de minha alma. Nele, dentro dos rituais dos sentimentos, cultuei o Senhor na alegoria em que o egoísmo se transvestira em adoração fugaz.
Adornei o altar com um candelabro de sete braços, simbolizando as dádivas de minha alma, iluminada pelo amor.
Na adoração, isolei-me dos homens, sem dar ouvidos aos apelos do mundo julgando que servia ao Criador.
Lembro-me que um dia, fui arrancado de minha adoração, pela voz de uma criança. Aborrecido pela intromissão que obrigava a interromper a contemplação, cheguei a janela, descerrando-a parcialmente para que o altar não fosse profanado por olhares ímpios.
Uma criança desnuda, descalça e frágil, pedia-me pão.
Eu os possuía abundantemente, mas se os providenciasse para atender seu pedido, interromperia o culto votivo.
Sem responder, fiz-lhe um gesto de negativa, mostrando-lhe a estrada, que a seguisse, sem perturbar a prece de um cristão devoto.
Ao voltar, espantei-me por perceber que as sete velas estavam apagadas e o livro que deixara fechado sobre o altar, estava aberto. Aproximei-me, estava escrito: “Tive fome e deste-me de comer”.
Quem abrira o livro, se eu estava só e o vento não perpassara suas folhas?
Percebi que das velas do candelabro, pingavam lágrimas de cera.
Compreendi a ordem. Corri para a janela chamando pela criança maltrapilha, que caminhava tristemente pela estrada que eu lhe indicara.
Abri as portas, matei-lhe a fome, agasalhando aquele corpo maltratado.
Antes que partisse ofereci-lhe um farnel que lhe sustentaria por longo tempo.
Retornei ao santuário. As velas estavam acesas e o livro aberto em outra página. Pude ler: “Se me amas, apascenta as minhas ovelhas”.
Compreendi a mensagem.
Antes que o sol se pusesse, vendi o candelabro de ouro, os mármores do altar, as toalhas de linho, o ouro e a púrpura, do meu manto. Com o que foi arrecadado, fiz um farnel repleto de pão e agasalho, amor e compreensão. Tranquei a porta do templo, saindo pelo mundo carregando o “Farnel da Fraternidade” em busca das ovelhas perdidas do rebanho de meu Senhor.
Encontrei milhares delas e a medida que as atendia, aumentavam os elementos que a compunham.
Nas noites de repouso, jamais vi cair lágrimas dos olhos de nenhuma estrela, que enfeitava o céu de minha esperança.
Isso é motivo de muita alegria, é um sinal que o Senhor aceitou o culto de minha alma, na transcendência da mensagem fraterna do amor cristão. 
 
Médium: Célia Lucchesi de Carvalho 
Espírito: Gonzaga