sexta-feira, 7 de outubro de 2011

COELHO NETO - A IMORTALIDADE DA ALMA: O AMBICIOSO / A CONVERSÃO AO ESPIRITISMO

 
O AMBICIOSO:
                        Trechos:
  
Felício, saindo do alpendre, pareceu-lhe ver o velho pai sentado no banco, em que costumava ficar à noite, a olhar distraídamente as estrelas.
“Atentou na visão e reconheceu o defunto. Felício pôs-se a tremer, agarrado a um dos esteios, e ouviu o pai que, em voz triste, lhe disse:
É a ambição que te vai levando à miséria, filho! Quiseste, por avareza, fazer o impossível e com ânsia de tudo aproveitar, tudo perdeste. (...) Fazendo felizes serias venturoso. O muito querer é sempre prejudicial. Quem dá trabalho enriquece sorrindo; quem, do seu pão, dá uma migalha ao pobre, farta-se e faz ventura. Que conseguiste com a ambição? (...) Chama os que despediste, dá-lhes trabalho, e não penses que eles te furtam o pão, acrescentam-no e abençoam-no. O egoísmo é como o areal solitário, que, por não dar vida à planta, sofre todos os rigores do sol, sem o fresco dos arroios e o gozo da mais pequenina sombra. O mundo é de todos, e só é verdadeiramente feliz, quando se é bom. Chama os que partiram, recebe-os na tua casa, paga-lhes o trabalho que fizerem, e eles renovarão o que a avareza destruiu, e tornarão a ver os frutos, a ouvir os gados, e outras moedas se irão juntar às que deixei na arca!
Felício ficou um momento amparado ao esteio, mas o silêncio não foi mais interrompido: o velho desaparecera.”
O velho!... Teria sido ele, ou a própria consciência do avarento que assim se manifestara?... Mistério!...
                       * * *
Na manhã seguinte, começavam a cantar os passarinhos quando Felício desceu à vila para contratar jornaleiros.
Hoje, o sítio é o mais belo do lugar. A casa é nova, e, em torno dela, outras avultam; e, entre as árvores frondosas, é, da manhã à tarde, um alegre cantar de lavradores.
E os milhos crescem, cresce o canavial, o pomar é todo fruto, e Felício prospera, contente, vendo à volta da sua felicidade tanta gente feliz bendizê-lo. 


A CONVERSÃO AO ESPIRITISMO:

                  Entrevista publicada pelo "Jornal do Brasil", de sete de julho de 1923, referente a conversão ao Espiritismo do notável escritor Coelho Neto: 

 "Sim, tens razão. Combati, com todas as minhas forças, o que sempre considerei a mais ridícula das superstições. Essa doutrina, hoje triunfante em todo o mundo, não teve, entre nós, adversário mais intransigente, mais cruel do que eu.
Em casa, onde a propaganda, habilmente insinuada, conseguira fazer prosélitos, todos temiam-me, apesar da minha conhecida tolerância em matéria de fé, porque eu não deixava passar um só dos livros de preparação e opunha-me, com energia, às tais sessões reveladoras. Mas que queres?
Não tiveram os cristãos inimigo mais acirrado do que Saulo até o momento em que, na estrada de Damasco, por onde ia para a sua campanha de perseguição, o céu abriu-se em luz e uma voz do Alto o chamou à fé. E de inimigo que era não se tornou, o tapeceiro de Tarso, o mais fervoroso e abnegado apóstolo do Cristianismo, saindo a pregar a Palavra suave ao gentio pagão? Pois, meu caro, a minha estrada de Damasco foi o meu escritório e, se nele não irradiou a luz celestial, que deslumbrou S. Paulo, soou uma voz do Além, voz amada, cujo eco não morre em meu coração.
Sabes que, depois da morte da pequenina Ester, que era o nosso enlevo, a vida tornou-se sombria. A casa, dantes alegre com o riso cristalino da criança, mudou-se em jazigo melancólico de saudade. Passei a viver entre sombras lamentosas.
Minha mulher, para quem a netinha era tudo, não fazia outra coisa senão evocá-la, reunindo lembranças: roupas que ela vestira, brinquedos que a acompanharam até a última hora, entre os quais a boneca, que foi com ela para a cova, porque a pobrezinha não a deixou até expirar.
Júlia... coitada! Nem sei como resistiu a tão fundos desgostos; seis meses depois do marido, a filha.
Pensei perdê-la. Todas as manhãs lá ia ela, para o cemitério, cobrir o pequenino túmulo de flores, e lá ficava, horas e horas, conversando com a terra, com o mesmo carinho com que conversava com a filha. Ia depois ao túmulo do marido e assim vivia entre mortos, alheia ao mais, indiferente a tudo.
Propus mudarmo-nos para Copacabana. Opôs-se. Insistiu em ficar na casa em que fora feliz e desgraçada, mas onde perduravam recordações do seu tempo de ventura.
Temi que a seduzissem para o Espiritismo, que a lançassem ao turbilhão do mistério em que se agitam as almas do nosso tempo, como endemoninhados da Idade Média corriam ao sabbat, nos desfiladeiros sinistros. No estado de abatimento moral em que ela se achava, seria arriscado perturbar-lhe a razão com práticas nigromânticas.
As minhas ordens, dadas em tom severo, foram obedecidas. Júlia passava os dias no quarto, que fora da pequena, e de fora ouvíamo-la falar, rir, contar histórias de fadas, exatamente como fazia durante a vida da criança.
Tais ilusões dolorosas eram bálsamos que mitigavam o sofrimento da alma, como a morfina alivia as dores. Cessada a ilusão, o desespero irrompia mais acerbo.
Uma noite, minha mulher entrou-me pelo escritório, lavada em lágrimas, e disse-me, abraçando-se comigo, que a filha enlouquecera.
- Por quê?! perguntei.
- Está lá embaixo, ao telefone, falando com Ester.
- Que Ester?
- A filha...
Encarei-a demoradamente, certo que a louca era ela, não Júlia.
Como se compreendesse o meu pensamento, ela insistiu:
- Lá está. Se queres convencer-te, vem até a escada. Poderás ouvi-la.
Fui. Como sabes, tenho dois aparelhos: um no "hall", outro, em extensão, no meu escritório.
Ficamos os dois, minha mulher e eu, junto à balaustrada do primeiro andar.
Júlia falava baixo, no escuro.
Por mais esforço que fizéssemos, não conseguíamos ouvir uma palavra. Era um sussurro meigo, cortado de risinhos. O que me pareceu (por que não dizê-lo?) foi que a conversa era de amor.
Tive ímpetos de violar o segredo de minha filha, mas o escrúpulo do meu cavalheirismo conteve-me.
- Por que dizes que ela fala com Ester? perguntei à minha mulher.
- Por quê? Porque ela mesmo me confessou e não imaginas com que alegria!
Fiquei estatelado, sem compreender o que ouvia. De repente, numa decisão, entrei no escritório, desmontei lentamente o fone do aparelho, apliquei-o ao ouvido e ouvi.
Ouvi, meu amigo. Ouvi minha neta. Reconheci-lhe a voz, a doce voz, que era a música da minha casa... Mas não foi a voz que me impressionou, que me fez sorrir e chorar, senão o que ela dizia.
Ainda que eu duvidasse, com toda a minha incredulidade, havia de convencer-me, tais eram as referências, as alusões que a pequenina voz do Além fazia a fatos, incidentes da vida que conosco vivera o corpo do qual ela fora o som...
Mistificação? E que mistificador seria esse que conhecia episódios ignorados de nós mesmos, passados na mais estreita intimidade entre mãe e filha? Não! Era ela, a minha neta, ou antes, a sua alma visitadora que se comunicava daquele modo com o coração materno, levantando-o da dor em que jazia para consolação suprema.
Ouvi toda a conversa e compreendi que nos estamos aproximando da grande era; que os tempos se atraem - o finito defronta o infinito, e das fronteiras que os separam, as almas já se comunicam. E eis como me converti, eis porque te disse que a minha estrada de Damasco foi o escritório onde, se não fui deslumbrado pelo fogo celestial, ouvi a voz do céu, a voz do Além, da outra Vida, do mundo da Perfeição...
- Ouviste-a ao telefone... E por que não a ouves no ar, como a ouviu... São Paulo, por exemplo?
- Por quê? Porque o espírito precisa de um meio em que se demonstre. Para viver conosco, encarna-se. O próprio Espírito de Jesus encarnou-se. O lume precisa de um combustível para arder e o lume é luz, eternidade: o som precisa de um órgão para vibrar. Todo o imaterial carece de um veículo para agir.
- Uma pergunta, apenas: - Como consegue Dona Júlia pôr-se em comunicação com o espírito da filha? Não me consta que a "Companhia Telefônica" tenha ligação com o Além.
- Respondo-te. Quando Júlia - disse-me ela própria - deseja comunicar-se com a filha, invoca-a, chama-a com o coração, ou melhor: com o amor, e ouve-lhe imediatamente a voz. Falam-se, entretêm-se, continuam a vida espiritual. A que está lá em cima é feliz na bem-aventurança, e a que ficou na orfandade já não sofre, como dantes sofria, porque o que era esperança tornou-se certeza...
- Certeza de quê?
- De uma vida melhor e maior, de vida puramente espiritual, como a claridade, vida sem dores, sem os tormentos próprios da carne, que não é mais do que um cadinho em que nos depuramos em sofrimento para alcançarmos a Perfeição."
FONTE: Revista Espírita Allan Kardec, ano XII, nº 44.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

ARISTON SANTANA TELES / TAGORE - SUBLIME ENCONTRO




SUBLIME ENCONTRO:  
Durante o café da manhã criança sorridente sentou-se no colo do pai e disse:
- Papai, essa noite eu sonhei com Jesus.
Ele falava, e dos seus lábios saíam flores; andava, e dos seus passos emanava poeira de luz; gesticulava, e do seu corpo nasciam suavíssimas baladas musicais.
Jesus falava como poeta, andava como anjo e sorria como criança. Ele parecia um divino crepúsculo que todos contemplávamos deslumbrados...
- Filho, você apenas sonhou. Esqueça isso e toma seu café.
Pena que aquele pai também não tivesse tido a oportunidade de ver Jesus.  
Médium: Ariston Santana Teles
Espírito: Tagore
Fonte: Livro: Notícias do Cristo

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ANTONIO BADUY FILHO / ANDRÉ LUIZ - SEM RESSENTIMENTO



SEM RESSENTIMENTO: 
 
Você lamenta os problemas familiares.  
 
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Encontra o parente e ele é antipático.
Ama o filho. E ele é insensível.
Conversa com o irmão. E ele é estranho.
Gosta do pai. E ele é agressivo.
Acaricia a mãe. E ela é indiferente.
Aprecia o primo. E ele é arrogante.
Dialoga com o tio. E ele é mordaz.
Admira o sogro. E ele é distante.
Considera a nora. E ela é hostil.
Respeita o cunhado. E ele é prepotente.  
 
           ******* 
 
Relações difíceis entre familiares são reajustes e compromissos, determinados por dívidas em existências passadas. Tolere e ajude, sem ressentimento, o parente que não é simpático, fazendo por ele o melhor possível.
No contexto da reencarnação, família não é simples reencontro. É oficina de trabalho. 
 
Médium: Antônio Baduy Filho 
Espírito: André Luiz

terça-feira, 4 de outubro de 2011

FRANCISCO LUCIANO / ASTÉRIUS - O CRISTÃO



O CRISTÃO: 
 
Dia de sol, dia de amor, dia de paz. O cristão trabalha, ora e serve. O cristão conhece o seu dever e o pratica com alegria, guarda as palavras de Jesus em seu íntimo, segue fielmente as lições do Evangelho! O dia é sempre de sol, de amor e de paz para ele!
O cristão é um homem reto, absolutamente reto no seu proceder! Limpo de coração, limpo de alma, limpo no olhar, limpo no falar, limpo no agir.
Homem de Fé, não teme nada, confia plenamente no seu senhor, permanece n’Ele em todas as horas, orando e vigiando!
Homem de Coragem, desafia o mal, praticando o bem; espanca as trevas distribuindo a luz; expulsa as mentira, vivendo a Verdade! Vai a toda parte para levar a semente da Vida, realizar o bem e concretizar o Reino de Deus em todos os corações!
Homem de Sabedoria, está sempre com o Senhor! D’Ele recebe a luz, a verdade, o esclarecimento. Não se aparta d’Ele para não cair em erro nem em tentação e nem deixar-se levar pela cobiça! Vai às praças e as choupanas mais humildes para pregar o reino de Deus. Leva mel na boca e luz no olhar. As crianças o escutam, os homens e as mulheres o admiram, os velhos sentem-se comovidos ao ouvir suas palavras inflamadas pela fé, glorificadas pelo amor! Pregador sábio, dirige suas palavras aos corações, anima-os, reconforta-os, consola–os! Deus o abençoa, na sua imensa sabedoria cristã!
Homem de Amor, vive para os seus irmãos. Já renunciou, já se sacrificou ao máximo, já vendeu todos os seus bens, já passou por todas as provas, com fé, coragem e sabedoria, e desse modo transformou-se no homem de Amor! À semelhança do próprio Cristo, ele é esperado em toda parte, todos desejam ver e ouvir o homem de Amor. Traz consigo a vida Imortal! As crianças, os jovens, os adultos, os velhos, todos sem distinção o querem! Por onde passa deixa um rastro de luz e de caridade! Mensageiro do dia claro da eternidade, ele é o cristão puro.
Dia de sol, o cristão trabalha, atendendo aos seus misteres de caridade! Cada uma de suas palavras, como cada um de seus atos, é uma oração feita a Deus!
O cristão tem a Terra inteira. Pacífico, conquistou-a; amoravelmente, tornou-se seu dono; caridoso, dominou-a!!
Os rios correm mansos, os campos estão verdes, há fartura, em toda parte, fartura de rosas, fartura de mel, fartura de leite! E, sobretudo, fartura de sorrisos, nas faces rosadas das crianças, nas faces serenas dos jovens, nas faces confiantes dos homens e das mulheres, adultos, nas faces augustas dos velhos!
Há Vida Cristã em toda parte. O homem cristão habita a Terra, por isso, o dia de sol, de paz, de amor!  
 
Médium: Francisco Luciano
Espírito: Astérius
Fonte: Livro: Reflexões sobre a Vida Cristã - Francisco Luciano/Astérius.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CLÓVIS TAVARES - O SONHO DE SANTA CATARINA LABOURÉ



O SONHO DE SANTA CATARINA LABOURÉ:
 
Ainda jovenzinha, Catarina Labouré, sonhou que se encontrava na capela de sua cidade natal, Fain-les-Moutiens, na Borgonha (França) e que um venerável sacerdote acabara de celebrar a missa. Quando descia ele os degraus do altar, de repente se deteve e, sorrindo, convidou a menina a aproximar-se; Catarina, estranhando o gesto, assustou-se e saiu da capela. Dirigiu-se, então, diretamente à casa de uma amiga enferma. Entrou no quarto desta e – ó surpresa! – novamente viu o mesmo ancião, o sacerdote de cabelos brancos, de pé, junto ao leito. Ele voltou a sorrir-lhe e, estendendo-lhe a mão, disse-lhe: “Filha minha, fazes bem em cuidar dos enfermos. Agora me evitas, mas dia virá em que te alegrarás de vir a mim. Deus tem desígnios a teu respeito. Não o esqueças!” E logo apareceu esfumar-se... Esse o sonho.
A jovem Catarina, ou Zoé, como era chamada familiarmente, nunca se esqueceu do sonho incompreensível. Mais tarde, quando em visita à Casa de Caridade de Paris, surpreendeu-se com um retrato suspenso à parede. E exclamou: “O mesmo sacerdote que vi em sonho”. E ficou sabendo, pelo Padre Prost, que o ancião dos seus sonhos era São Vicente de Paulo: “os mesmos olhos sorridentes, a mesma boca amável que lhe havia falado, o mesmo rosto coroado de cabelos brancos, cheio de bondosa compreensão, que ela havia contemplado em sonho...”
 
Fonte: Livro: Mediunidade dos Santos – Clóvis Tavares – Editora IDE.